Meu vizinho, homem de nome Zacarias Sousa Augusto, viveu a maior parte da sua vida em Leça do Balio. Este homem era um dos melhores amigos do meu pai, só não falavam isso frente a frente. 

Das memórias que tenho deste exemplo de humanidade a que mais se destaca é a vez em que me perdi no shopping. Estava lá eu, meu irmão, minha mãe e o meu pai. De repente, vi os meus pais a entrarem numa loja de roupas enorme. Quando viraram para o corredor das calças, eu que estava logo atrás a segui-los, pensei que os meus pais eram outras pessoas e, logo que olhei na cara destes, dei conta que não eram quem procurava. Por sorte, Zacarias trabalhava ali e, quando o vi, corri para ele, mesmo que a cachoeira de água suja atrapalhasse a minha visão. Ele levou-me para o cento da loja e dali começamos a procurá-los. Graças a Deus, conseguimos encontrá-los e voltamos a casa. Quando tinha quatro anos (mais ou menos) olhava-o com um ar de respeito e a sua idade já avançada dava-lhe um aspeto sábio. Infelizmente, já não o posso ver de nenhuma forma.

Este homem, embora só tenha convivido com ele durante os meus primeiros seis anos de vida, foi uma pessoa que ajudou tanta gente na sua vida que até as estrelas do céu não poderiam contar. Hoje percebo que não devo ficar triste por não estar mais ente nós, mas devo alegrar-me por já ter estado. Este foi Zacarias, e tenho orgulho em dizer que já foi meu vizinho.

Marcos Bonifácio, 8.º Ano


Discover more from Palavras e Figurações

Subscribe to get the latest posts sent to your email.

eM DESTAQUE

Discover more from Palavras e Figurações

Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

Continue reading