Estou habituado a que recebam mal os meus filmes e isso não me altera, nem altera nada do que penso sobre o cinema. (…) A arte é especial. Há uma só lei, o tempo. O tempo é o grande juiz, é o grande juiz de tudo.

Manoel de Oliveira, cineasta português, 2005

“Last Night in Soho” de Edgar Wright
O meu filme favorito chama-se “Last Night in Soho” de Edgar Wright. Este filme destaca-se pelo seu ambiente sombrio, música apelativa, excelente realização e história encantadora.
Em primeiro lugar, considero este o meu filme favorito pela sua história atrativa, que serve de introdução a tópicos como assédio e sexualização excessiva da mulher, criticando, assim, os anos sessenta do século XX. No decurso da ação, e até ao clímax, o filme cativa-nos com a beleza e sedução dessa época. Tal é visível quando Eloise é assombrada pelos passados assediadores de Sandie, no presente. Pouco a pouco, o filme retrata a história de Eloise, estudante de moda, que desvenda a vida sombria de Sandie, viajando para o passado, no ato de sonhar. Desta forma, embarcamos numa viagem de luxo, nostalgia e encanto.
Em segundo lugar, outro aspeto que me chamou a atenção foi a excelente realização. Edgar Wright concretizou um trabalho incrível, com a utilização dinâmica da câmara, na sua relação com o movimento. Tal é visível, sobretudo, na cena em que Sandie dança com o seu “manager”, para Eloise, sem a necessidade de cortes. Algo que também é importante mencionar é a cor, visto que o realizador se certificou de que, durante o filme, todo o “néon” tivesse um grande destaque, combinando e dando significado à luz e à cor.
Concluindo, na minha opinião, este filme é uma escolha fenomenal, de terror e fantasia, com uma ação focada em personagens femininas.

“O Círculo” de Aaron Hann e Mario Miscione
O meu filme preferido é “O Círculo”, uma obra dos realizadores Aaron Hann e Mario Miscione, concretamente um thriller de 2015.
Primeiramente, o filme apresenta um grupo de cinquenta estranhos, que foram capturados de maneira desconhecida e por uma identidade anónima. No início da ação, as personagens são colocadas em círculo. Este é um jogo, um jogo de seleção de vida e morte, em que o computador seleciona quem vai morrer. Em alternativa, também as pessoas, a partir de um sistema de votos, podem escolher quem irá ser eliminado.
Em acréscimo, este filme interessou-me pelas consequências de uma psicologia individual e de grupo, que enquadra a razão da escolha humana. Com efeito, durante o filme, as várias personagens discutem, entre si, quem, do grupo, iria ser eliminado, apresentando razões plausíveis para que todos concordassem. Por exemplo, as primeiras pessoas a serem eliminadas foram os mais velhos. Seguiram-se os racistas e homofóbicos, que acabaram por se expor, a partir dos seus comentários. Em continuação, foram eliminados os homens que batiam nas suas mulheres, culpados de violência física e/ou psicológica. Além disso, constatou-se que os ex-condenados tiveram prioridade na sua eliminação, em relação a donas de casa ou trabalhadores, com um alto nível de educação. De resto, no caso de dúvida entre duas pessoas de classe social igual, o negro foi eliminado antes do branco, à semelhança do cigano ou mexicano, que não lograram sobreviver, quando postos lado a lado com um branco.
Em suma, o filme revelou-se bastante estimulante, levando o espetador a refletir sobre a sua mentalidade e preconceitos. Quanto à única pessoa que sobreviveu, conseguiu-o por ludibriar uma grávida e uma criança, o que demonstrou os defeitos da sociedade atual, num retrato terrífico e impiedoso do ser humano.

“Lord of the Rings” de Peter Jackson
“Lord of the Rings”, de Peter Jackson, é um filme envolvente, cativante e imaginativo, que, de forma magistral, versa sobre o eterno confronto entre o bem e o mal.
O terceiro filme da saga, o mais desafiante de todos, centra-se numa descrição detalhada do destino de um “precioso anel“ e de Frodo Baggins, o seu portador e guardião. A narrativa, para além de ser uma continuidade da história dos outros dois filmes, marca o fim de uma saga, que mostrou ser deveras marcante, entrelaçando e criando sempre suspense, nas cenas que se sucedem e interligam.
Neste épico do cinema, as forças do mal começam por prevalecer, chamando o poderoso anel para as mãos dos “senhores dos anéis“, que o desejam, para terem o poder de restabelecer o mal, eternamente. Frodo resiste ao anel, destruindo-o e acabando com a fúria instituída e o sofrimento que este provocou, numa narrativa empolgante. A escolha criteriosa das personagens, em especial dos protagonistas, e a respetiva caracterização, tanto física como psicológica, concorre para a fluidez da narrativa, e realça a leveza e simbologia de diversos ambientes, de que é exemplo o habitat das ninfas.
Considero “Lord of the Rings “o meu filme favorito, pela maneira dinâmica e apelativa, usada pelo realizador, para abordar o tema do confronto entre o bem e o mal. E, sobretudo, porque consegue demonstrar que as atitudes positivas e solidárias vencem todos os sofrimentos, descontentamentos e lamúrias, tal como visualizado no decurso e no fim do filme.
Concluindo, o “Senhor dos Anéis “ ou “ Lord of the Rings “ é um dos filmes mais poderosos que conheço, tanto pela história que narra, como pela mensagem que transmite, e ainda as reflexões que suscita sobre a vida e o mundo.



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