– A Liberdade é bela!

Projeto Comunicar

Sarau AEPL 29 de maio 2024 Cine-teatro de S. Mamede

Teatro, humor e declamação de poesia, tendo por mote “viver em democracia e liberdade”. A propósito da comemoração dos 50 anos do 25 de abril

1.ª parte – TEATRO DOS PRIMOS (Fora da cortina)
2.ª parte – POESIA (A introduzir por 2 alunos, com pedido de desculpas ao público pela falta de qualidade da 1.ª parte, do Teatro dos Primos.)

1.ª parte – TEATRO DOS PRIMOS
Texto construído em Oficina de Escrita, a dois de maio de 2024, e posteriormente revisto e melhorado pelos três alunos Rodrigo Sousa, Pedro Oliveira e Paulo Simões, do 11.ºF, simultaneamente escritores e atores, em trabalho colaborativo e muito sério, que o cómico é sério, quem disser o contrário certamente não sabe do que fala, suscitar o riso e criticar paixões e vícios humanos não é para todos.

(Música Pantera cor-de-rosa. Os atores saem do público e sobem ao palco, mas ficando fora da cortina.)

Rodrigo Bugalho – Boa noite a todos.
Zé Cabra- A gente somos os primos.
Rodrigo Bugalho – Primo Rodrigo Bugalho (moi même), primo Paulo Futre e primo Pedro Zé Cabra. (Cada ator toma a palavra e apresenta-se)
Rodrigo Bugalho – Bom, acontece que aquela cujo nome não pode ser nomeado disse que a nossa intervenção só podia ter até 7 minutos! E disse, ainda, que atores cómicos não podem declamar poesia séria. E censurou as nossas quadras. Mas, mesmo assim, porque acreditamos que o povo é quem mais ordena, decidimos impor contra esta CENSURA! É UMA VERGONHA.
Paulo Futre- UMA LÁSTIMA!
Zé Cabra – POR ISSO É QUE O PAÍS NÃO VAI PARA A FRENTE!
Rodrigo Bugalho – Estamos deste lado da cortina, porque o nosso poema foi eliminado. Um poema magnífico, em que cada um tem uma quadra. Foi eliminado por, passo a citar: “falta de qualidade literária”. É UMA VERGONHA!
Paulo Futre- UMA LÁSTIMA!
Zé Cabra – POR ISSO É QUE O PAÍS NÃO VAI PARA A FRENTE!
Rodrigo Bugalho – O poema magnífico começava assim:

Política é futuro
TACHO de amanhã
Comentador hoje
Estrela da manhã

Rodrigo Bugalho- Boa noite, portugueses e portuguesas, sou Rodrigo Bugalho, nascido em Beja, e sou um político cecílio, idóneo, brioso e vertical……
Paulo Futre- És é todo horizontale.
Rodrigo Bugalho- Mas posso continuar…
Zé Cabra – Mas diz lá, oh diagonal, quais são as tuas propostas.
Rodrigo Bugalho – Uma das minhas medidas passa pela construção de um TGV entre o Porto e Beja, com bilhetes low-cost a 1 euro cada, para que eu possa passar o fim de semana na minha terra natal, a comer a minha açorda (mímica)
Zé Cabra- Mas isso não parece a solução de um grande problema … não foste para a política para resolver problemas urgentes e SUPER urgentes?
Rodrigo Bugalho- Sim, os MEUS! Mas já que estais com ladainhas … contai ao povo português o que fazeis das vossas miseráveis e deploráveis vidas! Força!
Zé Cabra- EU SOU O PEDRO ZÉ CABRA UM GRANDE CANTOR PiiiiiiiiiiiiiiMBA,
Rodrigo Bugalho – Mentir é pecado!
Zé Cabra – A inveja também! Continuando, comprem o meu êxito:
(Paulo e Rodrigo dançam)

“Deixei tudo por ela, deixei, deixei
Deixei tudo por ela, eu sei, eu sei
Deixei a minha vida tão bonita e singela
Deixei tudo o que tinha, deixei tudo por ela.

Zé Cabra – …só 45 euros e 35 cêntimos e ainda vem com a oferta de um presunto! É FAVOR DEIXAR O DINHEIRO COM A (O) MENINA(O) DA CÂMARA….
Mas antes disso, a minha rica quadra:
A música piiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiimba
É bater do coração
Dançar no palco
Biber em paixão

Paulo Futre: És mesmo morcão…. Não é biber é VI – BER!!!!
Zé Cabra- Se fosses marcar golos é que BRILHA-BAS!
Paulo Futre – E brilho mesmo! SÓCIOS, eu sou o Paulo Futre, o melhor jogador do campeonato nacional e um irreverente bisase-mán!
Rodrigo Bugalho – Ui que inglês arrevessado….
Paulo Futre – Oh sócio, eu fiz a escola à noite…logo falo muito bem inglês, que falo, mas é com a luz apagada! Mas bom, a minha fanta-bulosa quadra é:
A vida de futebol
É jogo e liberdade
A boa vida é fácil
E é nossa de verdade

Paulo Futre – Prontos e mais num digo!
Rodrigo Bugalho – Primos, temos de ir, o tempo está a acabar ….Ai Jesus de Nazaré!

(Os 3 atores correm para fora do palco)

Com as cortinas fechadas, assomam 2 atores, que pedem desculpa ao público, por uma 1.ª parte de declamação de quadras sem qualquer qualidade. Interação com o ator Paulo Futre, que protesta bem alto e é retirado à força do palco… As cortinas abrem. Em semicírculo, surgem os alunos que vão declamar e trazem um cravo vermelho na mão.

2.ª parte – POESIA: A LIBERDADE É BELA
Declamação de poesia, tendo por mote “viver em democracia e liberdade”.
A propósito da comemoração dos 50 anos do 25 de abril
Os alunos introduzem os poemas selecionados, e respetivos autores, bem como o refrão entre poemas e no final. Convidam ainda o público a juntar-se ao Coro do refrão.

Viva a Liberdade! /Viva a Liberdade!
Lembrar 25 de abril
Em democracia
Com cravos vermelhos
E paz e alegria.

1.º poema (declamado por Filipa Pinto, 12.º C)

OS AMIGOS

Os amigos amei
despido de ternura
fatigada;
uns iam, outros vinham,
a nenhum perguntava
porque partia,
porque ficava;
era pouco o que tinha,
pouco o que dava,
mas também só queria
partilhar
a sede de alegria –
por mais amarga.

Eugénio de Andrade, Coração do Dia, 1958

2.º poema (declamado por Francisca Araújo, 11.º F e Carolina Oliveira, 12.º E)
PAÍS DE ABRIL

São tristes as cidades sob a chuva
e as canções que se atiram contra as grades
— minha pátria vestida de viúva
entre as grades e a chuva das cidades.

É triste o cão que ladra no canil
quando é março ou abril e lhe prendem as pernas
é triste a primavera no País de Abril
— minha pátria perfil de mágoas e tabernas.

É triste: uns vestem-se de abril outros de trapos.
Tu ó estrangeiro é só por fora que nos olhas
— minha pátria bordada de farrapos
capa de trapos remendada a verdes folhas.

Abril tão triste no País de Abril. Por fora
é tudo verde. (Abril com máscaras de festa).
Por dentro — minha pátria a rir como quem chora.
(A festa da tristeza é tudo o que lhe resta).

Abril tão triste no País de Abril. Aqui
a noite aqui a dor meninos velhos
— minha pátria a chorar como quem ri
em surdina em silêncio. E de joelhos.

Manuel Alegre, País de Abril, 1964

3.º poema (declamado por Isabel Machado e Martim Cunha, 12.ºB)

LIBERDADE

O presente recupera o passado
E assusta-me o futuro.
Estará ainda em causa a liberdade,
Depois de lutar por tudo?

Quanto mais tempo terei eu de esperar,
Por minha liberdade finalmente alcançar?
E finalmente um dia viver,
Sem que me queiram calar.

E se é que alguma vez a tive,
Ouça deus a minha prece:
Devolvam-me a minha liberdade!
Imploro eu, num grito mudo que ensurdece.

E assim é a vida,
Vida onde a injustiça reina
Numa terra eterna,
Onde a liberdade já foi esquecida…

Autores: Isabel Machado e Martim Cunha, 12ºB, AEPL 2024

REFRÃO FINAL em Coro, Cravos na mão
Viva a Liberdade! /Viva a Liberdade!
Lembrar 25 de abril
Em democracia
Com cravos vermelhos
E paz e alegria.

(Em semicírculo, atores e declamadores dão as mãos e fazem uma vénia de agradecimento ao público, saindo em fila)

FIM


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