No dia 13 apitamos a buzina
Gritamos com aquele estranho na estrada
Reclamamos com quem nos ensina
E no restaurante não dizemos obrigada
Nos 364 dias do ano falamos de guerra, tormenta e mal-estar
Mas mal chega o 14 de Fevereiro
O amor está no ar
De repente quem gritou na estrada por nada escreve um poema
Comprar rosas ou chocolates é o grande dilema
No dia 13 vejo dois namorados a discutir
Como fazem no resto dos dias
Contudo no dia que vem a seguir
Já são a melhor das companhias
Um post nas redes sociais
"Eu amo-te", "Não, eu amo-te mais"
E o que mais ninguém vê
É que nunca foram tão desiguais
Quem ontem ignorou aquela chamada
Hoje manda uma frase especial
"Gosto muito de ti, vais ser sempre amada"
Só não te ama num dia normal
No resto do ano atiro pedras, provoco tornados e crio dor
E subitamente no dia 14 já estou pronta para falar de amor
Como se não tivesse julgado a roupa do menino no corredor
Como se não tivesse sido eu a começar aquele rumor
E como se finalmente tivesse aprendido a dar valor
No dia 14 prometemos para sempre
Quando às vezes nem "bom dia" damos
Oferecemos peluches enormes
A pessoas que mal escutamos
Em meio a montras coloridas
Reservas em restaurantes que passam o orçamento
Grandiosos gestos e frases repetidas
Quero deixar o meu testamento
Amor é amor no S. Valentim ou em janeiro
Amor tem sempre o mesmo sabor e o mesmo cheiro
O amor não é a fotografia ou a legenda ensaiada
Amor é amigo que fica sem dizer nada
É conforto dado sem plateia
É amar em qualquer quinta-feira
É procura no dia mais comum
Sem necessidade de presente nenhum
Não abolir o dia catorze
Mas transformar este dia em todos os outros
Porque não há só um dia para distribuir afeto
Está em cada detalhe mais discreto
Amor é quando mais ninguém está a ver
O abraço com a mãe que melhora o teu dia
Uma criança que para ti sorria
A pessoa que te continua a escolher!
Matilde Moreira, 11.º Ano





