Ser mulher é lutar contra uma sociedade de preconceito
É ter de conquistar cada um dos seus direitos
Ser mulher é provar que está toda a gente enganada
E que somos feitas para mais do que estar em casa trancadas
Ser mulher é desde o dia um
Nadar contra a maré
Tentar ficar de pé
Fazer tudo e mesmo assim ser comum
Uma mulher representa cem séculos de revolução
De força, de garra e de guerra contra uma nação
Não nascemos sem mulheres e não vivemos sem mulheres
Sem elas não temos salvação
A maioria de nós
Acorda cedo, alimenta o filho e vai trabalhar
Faz o almoço, lava a roupa e até o jantar
Esfrega a casa, varre o chão e dorme cansada
Tudo isto para não ser sequer apreciada
A história repete-se, crua e lenta
Mais um dia, mais tormenta
Ir levar a filha à escola, brincar às bonecas e ouvir o marido da sala a perguntar “O que vais
cozinhar?”
Mais um dia tentando ser perfeita, com a maquilhagem impecável e tentando esconder as
marcas de cansaço
Que se acumulam por precisar de espaço
E ao deitar-se na cama finalmente
Com a máscara de perfeição recolhida
Aproveita o momento, brevemente
Que tem para se sentir humana, imperfeita
Sabendo que amanhã a muralha de força estará erguida
E que não se pode dar ao luxo de se sentir desfeita
Porque estão todos a contar com ela
Para mexer sopa na panela
Para ser indestrutível e invencível
Porque estão todos à espera
Que seja a força da natureza que sempre foi
Porque mulher é assim, e sempre será assim
Mulher é destemida, é combatente
Mulher é corajosa e persistente
Mulher teve de lutar para pertencer
Para ter um lugar na mesa do cidadão
E depois de anos e anos de luta
Ainda há quem pense que somos cativas, alvos da restrição
Porque é que não querem uma mulher ao poder?
Porque no fundo sabem quem somos, a superação que representamos e o que fizemos para
merecer
No fundo têm medo do desconhecido
E ainda está para ser estudada espécie tão única e tão especial
Que não se derruba, que não se prende, e que morre para defender aquele ideal
Têm receio da inteligência que possuímos e das vozes que movem montanhas
Querem calar-nos porque sabem que teremos sempre algo a dizer
Que o protesto corrói as entranhas
Da heroína que caiu para outra viver
Nós somos mulheres, não prisioneiras
Somos mães, avós, filhas e parceiras
Somos indivíduos, humanos que merecem dignidade
Somos sábias, temos identidade
Não devemos ser descartadas
Só porque nos veem como fracas
Porque a avó que cozinha a todo o momento com um sorriso não é fraca
A vítima de manipulação não é fraca
A mulher que foi espancada não é fraca
Aquela a quem foi tirada a integridade e continuou a respirar não é cobarde
A que lida com a pressão do mundo e não o deixa afundá-la não é fraca
A que se sente sem chão e o constrói de novo não é fraca
A que sofre de depressão e sai da cama não é insuficiente
E nenhuma mulher devia sentir-se transparente
Somos força que cresce na adversidade
Sonho que persiste mesmo na tempestade
Liberdade que não se deixa calar
Somos acúmulo de vitórias e derrotas, mas nunca desistências
Somos feitas de resiliências
Parece-me mais que justo que celebremos este dia tão singular
Tão notável, tão particular
O dia que celebra quem somos e o que fazemos
Para todas as mulheres do mundo
Um obrigada que nunca vai acabar
Obrigada por nos trazerem à vida
Obrigada por não desistirem de nós
Obrigada por criarem uma voz
Obrigada,
Feliz dia da Mulher!
Matilde Moreira, 11.º Ano





